Os Primeiros Comboios

O uso de carris para deslocar objetos pesados data de há muito tempo, com os vestígios mais antigos no Istmo de Corinto, sendo então utilizados sulcos na rocha calcária como carris para transportar rapidamente barcos de uma costa para a outra. A força motriz era então proporcionada por escravos.
Existem relatos datados do século XVI que retratam o uso de carris para transporte em formatos diversos, incluindo um que perdurou durante vários séculos, que consistia no transporte de minério do interior das minas para o exterior, em vagões puxados por equídeos ou pelos trabalhadores.

Richard TrevithickFoi preciso chegarmos ao século XIX, mais precisamente a 1804, para Richard Trevithick realizar a primeira “viagem” numa locomotiva a vapor. Esta aventura pioneira não teve total sucesso, devido à qualidade dos carris de ferro. Seria preciso esperar até 1857 para que aparecessem os muito mais resistentes carris de aço, que não quebravam sob o enorme peso das locomotivas.

Foi em 1856 que teve lugar a inauguração da primeira linha de caminhos de ferro em Portugal, tendo a composição viajado de Lisboa até ao Carregado, com o Rei Dom Pedro V a bordo.

Os finais do século XIX viram uma grande revolução na tecnologia dos primeiros comboios, tanto a nível de potência e fiabilidade das locomotivas, como também nos níveis de conforto e requinte para os passageiros.

A expansão para oeste dos colonos em territórios americanos foi um dos grandes incentivos para a construção de longas linhas de caminhos de ferro e para o desenvolvimento da tecnologia que originou locomotivas cada vez mais rápidas e possantes. Em 1869, foi completada a primeira linha de caminhos de ferro transcontinental.

Embora a eletricidade e o diesel fossem já usados no início do século XX, foi somente após o final da Segunda Guerra Mundial que se começou a substituir sistematicamente as locomotivas a vapor em todo o mundo por veículos modernizados.